Ritmos árabes raros – criando o movimento a partir da descoberta musical
Este texto foi adaptado do meu artigo publicado na edição 39 da Revista Shimmie.
Uma das principais diferenças entre a música árabe e a música ocidental é a presença massiva de ritmos sofisticados e muitas vezes compridos e assimétricos.
Dentro das danças folclóricas orientais já encontramos ritmos em sete e em nove tempos, sendo este último comum em modalidades de música turca (como por exemplo no estilo karsilama).
Nas músicas eruditas, como aquelas que constituem o estilo Mwashah, encontramos ritmos de 10, 11, 13, 14, 17, 22, 24, 32 e até 48 tempos. Evidentemente, estes ritmos são frequentemente executados em andamentos mais lentos, possibilitando sua degustação e a criação de um trabalho melódico mais sofisticado.
Muitas vezes, nas músicas ditas clássicas ou rotinas orientais, alguns destes ritmos são executados durante uma determinada fase da música, evidenciando um humor mais sóbrio, etéreo ou onírico. Para dançá-los, podemos nos inspirar nos passos das danças palacianas executadas sobre os mwashahat ou criar nossos próprios a partir do momento em que dominamos suas contagens e dinâmicas.
Para começar, identificamos quantos tempos o ritmo que estamos escutando possui. A técnica de bater palmas ou estalar os dedos ajuda bastante a desenvolver intuição para realizar esta contagem, e é mais simples quando realizada em ritmos longos com andamento lento. Observamos quando o ritmo começa a repetir, ou seja, quando o compasso musical é finalizado, e contamos quantos tempos o compasso contém.
A partir daí, identificamos quais os tempos mais fortes e quais os tempos mais fracos. Esta dinâmica nos ajudará a definir quais momentos são mais adequados para deslocamentos ou mesmo marcações com o corpo. Caminhar de acordo com o pulso ou andar apenas nos tempos fortes também é um exercício extremamente útil.
Conforme esta leitura estiver bem desenvolvida e assimilada no corpo, fica fácil inventar, transformar, criar e sentir quais movimentos harmonizam com aquele trecho da música, mesmo quando nosso foco é executar a leitura da linha melódica.
Exemplos para começar a identificar ritmos longos:
Música “Oyoun” da Arabesque Dance Orchestra – o ritmo tocado após a segunda fase cantada é executado em 7/8. Ritmo: Dawr Hindi
Música “Khatwet El Ghazaalah” do álbum Faddah do Hossam Ramzy – a introdução é executada em 12/4. Ritmo: Mwdawwar
Música “El Hob Kollo”, originalmente gravada pela Om Kalthoum mas regravada em diversas versões para dança do ventre – a introdução é executada em 13/8. Ritmo: Dharafat
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